Dezoito egressos do sistema prisional e cumpridores de alternativas penais concluíram o treinamento “Formação Humana e Profissional”, na última sexta-feira, 15.02. Promovida pelo Programa de Inclusão Social de Egressos do Sistema Prisional (PrEsp) e Central de Alternativas Penais (Ceapa), da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), em parceria com a ONG Rede Cidadã, a capacitação tem como objetivo preparar o público atendido pelos programas para o mercado de trabalho, contribuindo para sua reinserção social.

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Ao longo de uma semana, os egressos e cumpridores de alternativas penais participaram de encontros que abordaram métodos de orientação profissional, como se comportar durante entrevistas de emprego, legislação trabalhista, postura no local de trabalho, marketing pessoal, imagem, ética, dentre outros. Com dinâmicas variadas, incluindo técnicas de relaxamento, oficinas de produção de currículo, simulação de entrevista de emprego e orientações de como se portar no mercado de trabalho, o treinamento, com carga horária de 40 horas, buscou auxiliar os participantes também no autoconhecimento de sua própria identidade.

Analista da Ceapa, Fernanda Aquino explica que o principal objetivo é promover o desenvolvimento profissional dos egressos e cumpridores de alternativas penais por meio de um maior conhecimento de suas habilidades, aliadas a diversas possibilidades do mercado de trabalho. “Buscamos trabalhar o auto-emprego. Os atendidos chegam muitas vezes com a ideia de que o trabalho é só de carteira assinada, e aqui conseguimos fazer com que eles consigam ver outras possibilidades, como venda de cosméticos, roupas, doces, entre vários outros”, detalha.

Para Dionízio Nunes, de 42 anos, egresso do sistema prisional, a capacitação já valeu a pena. “A gente precisa se organizar para conseguir um emprego. Saber o que quer, estudar sobre o local em que pretendemos trabalhar, conhecer como funciona. Assim, nossa apresentação será mais eficiente, e a chance de conseguir algo é maior. Aprendi isso tudo aqui”, conta. Há um ano e cinco meses em liberdade condicional, Dionízio, que também é autônomo, diz que aprendeu a fazer tapeçaria e, agora, com os conhecimentos adquiridos no curso, começou a vender as peças que produz. “Eu fazia para mim mesmo, para os amigos, mas agora sei que posso vender também. Coloquei até nas minhas redes sociais”.

Autoconhecimento

Além das aulas práticas e da preparação para o mundo do trabalho, o curso também buscou estimular a confiança e as identidades pessoal e social dos egressos e cumpridores de alternativas penais, discutindo temas como a questão do eu e do relacionamento entre o eu e o outro. “O autoconhecimento cria o controle emocional. Aqui estamos preparando para o mercado de trabalho, mas também para a vida”, ressalta a coordenadora de projetos da Rede Cidadã, Marcela Vieira.

“Os ensinamentos apresentados vão além do mercado de trabalho. Todas as vivências e trocas de informações passadas aqui vão servir também para o lado pessoal, ajudando em como eles irão se comportar aqui fora”, acrescenta Rafael Moreira, analista do PrEsp.

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Egresso do sistema prisional, Leonardo Gomes, de 31 anos, há dois meses em prisão domiciliar, avalia que o treinamento o ajudou a ter uma nova visão sobre o trabalho e sobre a sociedade de um modo geral. “Todas as experiências e histórias trocadas aqui me ajudaram a entender mais a minha vida e a vida das outras pessoas. Ajudaram a me jogar de novo na sociedade. Pretendo fazer novos cursos, aprender outras coisas. Quero fazer tudo que aparecer”, garante.

Segundo a coordenadora metodológica de empregabilidade da Rede Cidadã, Marcela Íris, esse foi o grupo mais aberto e de maior parceria dentre todos já trabalhados pela ONG. “Eles conseguiram entender que precisamos ser uma comunidade, precisamos nos apoiar. Foi incrível a parceria e os laços de amizade e de confiança que foram formados aqui”.

Texto e fotos: Lara Nassif

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