O Centro Socioeducativo de Divinópolis, localizado no Centro-Oeste do Estado, está comemorando 12 anos de funcionamento neste mês. Desde a sua inauguração, em 6 de julho de 2007, 1.330 adolescentes cumpriram medidas socioeducativas de internação na unidade. Todos eles passaram por acompanhamento escolar, seja por meio de aulas de reforço ou pela frequência na Escola Estadual Vida Nova, localizada dentro da unidade. Atividades – diárias e amparadas por uma equipe multidisciplinar do centro – que trouxeram impactos na interrupção de trajetória infracional de muitos adolescentes, dando novas perspectivas de vida a todos eles.

A unidade socioeducativa tem capacidade para 48 adolescentes do sexo masculino. Além da escolarização, oferece atividades de profissionalização e de ressocialização aos adolescentes. Atualmente, são ofertadas oficinas de corte e costura, nas quais os adolescentes aprendem a fazer peças de patchwork (técnica que utiliza pedaços de tecido com diversos formatos), além de conceitos básicos de costura; de jardinagem, de avicultura e horticultura; de artesanato, com a produção de tapetes em tela de tear, caixas de presente em MDF, pinturas, mandalas e objetos de decorações diversas; de desenho, de visagismo (atividade que combina estética do rosto com e da pessoa com o novo corte de cabelo), entre outras.

“O trabalho realizado aqui em Divinópolis vai além da medida socioeducativa, além da lei, nós buscamos o lado humano. Nosso objetivo é transformar vidas, é mostrar um outro caminho, que não esse que os trouxe aqui”, explica o diretor da unidade, Glaubert Iran Guimarães. Segundo ele, um dos grandes objetivos do trabalho é mostrar que a vida fora do crime é mais duradoura. “Fazemos isso por meio das oficinas, do estudo, do acolhimento e dos depoimentos dos parceiros e dos técnicos. Queremos fazer eles entenderem que é possível mudar de vida”.

Juan Carlos*, 16 anos, está há 3 meses na unidade, e é um dos participantes da oficina de artesanato. Ele destaca a importância que a atividade já tem na sua vida. “Como estava desempregado, estou planejando a começar a pintar, fazer os trabalhos de artesanato e assim, ter uma profissão logo que sair daqui”.

“Eu adoro cortar cabelo e eu vi nessa oficina uma oportunidade de ganhar dinheiro e ter uma profissão quando sair daqui. Serei outra pessoa quando deixar o Centro Socioeducativo”, é o que conta Augusto Martins, 17 anos, há 3 meses na unidade e participante da oficina de visagismo.

Celebração dos 12 anos

Uma cerimônia de comemoração dos 12 anos da unidade celebrou os trabalhos e contou com a presença de antigos funcionários, que ajudaram a construir esta história do centro, além de parceiros de outras instituições.

Na solenidade, Carlos César*, adolescente que passou pelo centro socioeducativo e hoje se encontra em liberdade, apresentou um rap no evento, de sua autoria, falando sobre as medidas socioeducativas. Outro grupo, composto por jovens da unidade, também cantaram e tocaram músicas de estilos variados. O agente do Centro Socioeducativo Andradas, de Belo Horizonte, Valmir Soares, também ajudou a compor o cenário de arte da celebração e realizou uma apresentação que uniu música e dança. Diversos depoimentos de parceiros e funcionários da unidade e da escola, além de uma exposição de artes, produzidas nas oficinas de artesanato, marcaram esta segunda-feira.

*Os nomes são fictícios para preservar a identidade dos adolescente, segundo determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

Texto: Lara Nassif

Fotos: Divulgação Ascom/Sejusp