De Norte a Sul de Minas Gerais, 10.092 presos e 607 adolescentes que estão cumprindo medidas socioeducativas estarão concentrados durante toda esta terça e quarta-feira (8 e 9/10) na realização do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja PPL). A prova é uma alternativa para conseguir os certificados do Ensino Médio e Fundamental e está sendo aplicada em 188 unidades prisionais e Associações de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) e também em 22 unidades socioeducativas do Estado. As unidades prisionais e socioeducativas são administradas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Nesta terça (8/10) o exame será para a certificação de Ensino Fundamental e na quarta-feira (9/10) para o Ensino Médio. O Encceja é uma realização do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e é gratuito e de participação voluntária. São quatro provas objetivas com 30 questões e uma redação, de acordo com o nível de ensino de cada candidato.

Em Itapagipe, na região do Triângulo Mineiro, a sala de aula ficou repleta de alunos. Custodiados do presídio local estão desde 8h desta terça-feira concentrados nas questões de múltipla escolha. O diretor-geral da unidade conta que esta é a primeira vez que o presídio aplica o exame para os seus internos. "A oportunidade que muitos encarcerados não tiveram, hoje aqui lhes foi dada. Ressocialização não pode acontecer senão pela educação", disse Antonio Carlos Trivilin Junior.

Segundo a diretora de Ensino e Profissionalização do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen MG), Bruna Aguiar, a prova é a possibilidade mais viável para a certificação. “Para aqueles que se encontram em unidades prisionais onde não há escola, esta prova pode ser uma forma de elevação da escolaridade. Por ser uma prova que avalia diferentes competências e habilidades, requer contato com o ensino e a aprendizagem, o que é de suma importância para a formação não apenas acadêmica, mas também pessoal dos indivíduos privados de liberdade”.

A aplicação das provas é realizada pelos chefes de sala e coordenada pelo responsável pedagógico de cada unidade prisional e socioeducativa. Também é o responsável pedagógico quem faz o levantamento juntamente com a equipe de segurança sobre a demanda para a realização da prova. Os interessados em concluir o Ensino Fundamental ou Ensino Médio podem se manifestar, sendo inscritos posteriormente pelo setor pedagógico da unidade.

Educação

Atualmente, 8.037 presos estudam nas unidades prisionais de Minas Gerais, seja na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), Ensino Superior ou Profissionalizante. Há ainda 5.320 detentos envolvidos em projetos socioculturais e esportivos, e na remição pela leitura. No total, são 114 escolas instaladas nas unidades prisionais e Apacs. Nas unidades socioeducativas, de acordo com as normas do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), todos os adolescentes estudam e são matriculados regularmente.

Por: Fernanda de Paula

Foto: Divulgação Sejusp

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