Todas as medidas de prevenção e enfrentamento à covid-19 foram tomadas para a realização do 12º Campeonato de Futsal do Presídio de Andradas, no Sul de Minas. O evento esportivo integra os Jogos de Inverno, promovidos pela Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer de Andradas, que neste ano foram suspensos, em função da pandemia. Apenas a unidade prisional pôde realizar os jogos de futsal.

Participaram do campeonato, realizado na última semana de junho, 59 detentos, em 46 jogos disputados na quadra do pátio de banho de sol. A prefeitura tem apoiado o Presídio de Andradas desde o primeiro campeonato, com bolas e medalhas, para incentivar os detentos na atividade esportiva. Nos anos anteriores, sem a presença de uma doença grave como a covid-19, além do futsal, os presos também disputavam tênis de mesa, xadrez e dama.

O diretor-geral do presídio, Willian Steve Batista, incentiva todas as atividades de ressocialização desenvolvidas na unidade. “O esporte é essencial para o corpo e a mente, especialmente no espaço carcerário. Estimula uma vida saudável e um ambiente tranquilo”, explica.

Os detentos escolheram, neste ano, nomes de times do Brasil e do mundo para suas equipes, e quem conquistou a medalha de primeiro lugar foi a Colômbia. Em segundo e terceiro lugares, respectivamente, ficaram o Paris Saint-Germain e a Alemanha. Foram condecorados também o artilheiro, o goleiro menos vazado e o juiz. A direção da unidade recebeu uma medalha por acreditar na iniciativa e valorizar o esporte entre os detentos.

Para o supervisor da seção de esportes da Prefeitura de Andradas, Luís Fernando Graziani, o apoio ao campeonato de futebol no presídio tem um significado importante para o Poder Executivo Municipal. “Estamos ajudando no engrandecimento do ser humano, estimulando o respeito às regras e contribuindo para que essas pessoas retornem à sociedade de uma forma diferente”, analisa.

Normalmente os Jogos de Inverno do município têm cerca de 20 modalidades diferentes e são disputados em escolas, academias, praças, clubes e ginásios.

Respeito

A arbitragem do campeonato ficou sob a responsabilidade de Dieyson Vitor Rodrigues, 35 anos, detento do Presídio de Andradas. Ele garante ter sido respeitado nos 46 jogos e não ter levantado o cartão vermelho nenhuma vez. No ano passado foi jogador e neste ano, pela experiência como juiz em jogos fora da unidade prisional, o escolheram para apitar no evento. “Não favoreci ninguém, estou muito certo disto. O importante é a coletividade e o espírito esportivo”, explica.

A cada ano, os detentos elegem uma competição do futebol profissional para nomear os times, incluindo Copa do Mundo, Liga dos Campeões, Copa América, Campeonato Mineiro ou Campeonato Brasileiro.

De acordo com a pedagoga da unidade, Leandra Polita, o projeto acontece visando uma competição saudável e um bom ambiente. “Valorizamos o repúdio a qualquer forma de discriminação, a solidariedade, bem como a transformação social.”

Texto: Bernardo Carneiro

Fotos: Divulgação Sejusp

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